VISAGISMO E OS FORMATOS DE ROSTOS PRIMÁRIOS E OS TERÇOS DA FACE NOS DIAGNÓSTICOS DE SAÚDE, BELEZA E BEM-ESTAR - RAZÃO, EMOÇÃO E INTUIÇÃO
VISAGISMO E OS FORMATOS DE ROSTOS PRIMÁRIOS E OS TERÇOS DA FACE NOS DIAGNÓSTICOS DE SAÚDE, BELEZA E BEM-ESTAR - RAZÃO, EMOÇÃO E INTUIÇÃO
Visagism and the shapes of primary faces and the thirds of the face in health, beauty and well-being diagnoses - reason, emotion and intuition.
RESUMO
Este artigo explora o campo do visagismo, uma prática que integra conhecimentos de estética, psicologia e mor- fologia para harmonizar a aparência física de uma pes- soa com sua personalidade e essência interior. Com uma abordagem interdisciplinar, discutimos como o visagismo aplica fundamentos científicos para entender e melhorar a relação entre autoimagem, percepção estética e bem-es- tar psicológico. Através da análise de formatos faciais e sua influência em julgamentos sociais e pessoais, o estudo destaca a importância da razão e da emoção no processo de visagismo. Abordando aplicações práticas em diversas áreas, como moda, cosmetologia e odontologia estética, este trabalho reflete sobre o impacto do visagismo na au- toestima e na qualidade de vida, sugerindo que uma ima- gem harmonizada pode promover melhorias significativas na percepção do self e nas interações sociais. Este artigo contribui para a compreensão do visagismo como uma ferramenta valiosa na busca por autenticidade e bem-estar, enfatizando sua relevância na sociedade contemporânea voltada para a imagem.
Palavras-chave: Visagismo, Percepção Estética, Bem-Estar Psicológico, Autoimagem, Harmonização Facial.
ABSTRACT
This paper explores the field of visagism, a practice that integrates knowledge from aesthetics, psychology, and morphology to harmonize an individual’s physical appe- arance with their personality and inner essence. With an interdisciplinary approach, we discuss how visagism applies scientific principles to understand and enhance the relationship between self-image, aesthetic perception, and psychological well-being. Through the analysis of fa- cial shapes and their influence on social and personal ju- dgments, the study highlights the importance of reason and emotion in the visagism process. Addressing practical applications in various areas, such as fashion, cosmetolo- gy, and aesthetic dentistry, this work reflects on the impact
Autor:
Robson TRindade; Tânia TRindade; Thaís TRindade; PieTRo TRindade; Laís aLmeida
62 REVISTA EDUCAÇÃO E PESQUISA - FCT Editora, v.8 n.1, jan. 2024 - e-ISSN 2675-7850
A R T I G O S
of visagism on self-esteem and quality of life, suggesting that a harmonized image can lead to significant improvements in self-perception and social interactions. This article contributes to the understanding of visagism as a valuable tool in the pursuit of authenticity and well- -being, emphasizing its relevance in the con- temporary image-oriented society.
verdadeira essência. Isso implica um estudo detalhado dos formatos faciais, das cores, das linhas e das proporções, para desenvolver um estilo que melhore a harmonia visual e promo- va a satisfação pessoal.
Este trabalho aborda o visagismo sob uma perspectiva multidimensional, considerando tanto seus fundamentos científicos quanto suas aplicações práticas. Ao explorar como a razão e a emoção interagem no processo de criação de uma imagem estética e autêntica, busca-se compreender como a percepção es- tética influencia o bem-estar, refletindo sobre o papel dos formatos faciais nos julgamentos sociais e pessoais. Assim, o estudo não ape- nas ilumina a importância do visagismo na atualidade, mas também destaca seu potencial transformador na vida das pessoas.
ANATOMIA E EXPRESSÃO: EXPLORANDO A RELAÇÃO ENTRE FORMATOS DE ROSTOS E EMOÇÕES
A anatomia facial desempenha um papel crucial na expressão de emoções, com a morfo- logia do rosto influenciando significativamen- te como as emoções são percebidas e interpre- tadas. O estudo da relação entre formatos de rostos e emoções é amplo, abrangendo diver- sas disciplinas, incluindo psicologia, biologia e antropologia. A configuração óssea, os mús- culos faciais e a pele contribuem para a for- ma como as expressões faciais são formadas e reconhecidas. Por exemplo, Ekman e Friesen (1971) identificaram sete emoções universais - alegria, tristeza, medo, surpresa, nojo, raiva e desprezo - que são expressas de maneira se- melhante em diferentes culturas, evidenciando a existência de um substrato biológico para a
Keywords: Visagism, Aesthetic Perception, Psychological Well-being, Self-image, Facial Harmonization.
INTRODUÇÃO
O visagismo é uma disciplina que se dedi- ca ao estudo e à prática da harmonização esté- tica entre a aparência física e a personalidade de um indivíduo. Esta abordagem, que com- bina arte e ciência, visa realçar a singularidade de cada pessoa, considerando não apenas os aspectos físicos, mas também os traços emo- cionais e comportamentais. Em um mundo cada vez mais voltado para a imagem pessoal, o visagismo surge como uma ferramenta po- derosa para a construção e o fortalecimento da identidade visual, influenciando diretamen- te na percepção de autoestima e bem-estar.
Ao longo dos anos, a prática do visagismo tem sido aplicada em diversas áreas, como na moda, na cosmetologia, na odontologia esté- tica e na cirurgia plástica, demonstrando sua versatilidade e importância. Ela se baseia em princípios científicos, tais como a morfopsi- cologia, que estuda a relação entre os traços faciais e a personalidade, e a psicologia da au- to-percepção, que explora como a imagem pessoal afeta o comportamento e a interação social.
O visagismo não se limita à estética super- ficial; ele busca uma compreensão mais pro- funda do indivíduo, suas necessidades e dese- jos, criando assim uma imagem que reflete sua
REVISTA EDUCAÇÃO E PESQUISA - FCT Editora, v.8 n.1, jan. 2024 - e-ISSN 2675-7850 63
expressão emocional.
As diferenças na estrutura óssea facial po-
dem influenciar a maneira como as emoções são exibidas, com certos formatos de rosto exagerando ou atenuando a expressão de cer- tas emoções. Por exemplo, rostos com man- díbulas largas e proeminentes podem conferir uma aparência mais agressiva, potencialmente intensificando a percepção de raiva ou hos- tilidade, enquanto rostos com características suaves e arredondadas podem ser percebidos como mais amigáveis e abertos, facilitando a expressão de alegria e abertura (Marsh, Adams & Kleck, 2005). Além disso, a simetria facial tem sido associada à percepção de saúde e be- leza, fatores que também podem influenciar a interpretação das expressões emocionais (Rhodes, 2006).
Do ponto de vista neurológico, a expres- são de emoções está ligada à atividade de certas regiões do cérebro, como a amígdala, o córtex pré-frontal e o sistema límbico, que processam informações emocionais e desencadeiam res- postas comportamentais. Os músculos faciais, controlados pelo nervo facial, permitem a ma- nifestação física dessas respostas emocionais, com a dinâmica muscular variando em função do formato do rosto e da estrutura anatômica individual (Darwin, 1872; Ekman, 1993).
No campo da psicologia evolutiva, sugere- -se que a expressão facial de emoções desem- penha um papel na comunicação não-verbal e pode ter tido implicações na sobrevivência e na seleção social ao longo da evolução hu- mana. A capacidade de transmitir e interpretar corretamente as emoções através das expres- sões faciais teria contribuído para o desenvol- vimento de relações sociais complexas e para a coesão do grupo (Tracy & Matsumoto, 2008).
Assim, a anatomia do rosto e a expres- são de emoções estão intrinsecamente ligadas,
com as características físicas influenciando a forma como as emoções são comunicadas e percebidas. Essa relação complexa entre a es- trutura anatômica e a expressão emocional destaca a importância de uma abordagem in- terdisciplinar para o estudo da expressão fa- cial, envolvendo conhecimentos de anatomia, psicologia, neurociência e antropologia cultu- ral.
O PAPEL DOS TERÇOS DA FACE NA AVALIAÇÃO INTEGRADA DE SAÚDE, BELEZA E BEM-ESTAR
O papel dos terços da face, que incluem a região superior (testa e sobrancelhas), média (olhos, nariz e bochechas) e inferior (lábios, queixo e mandíbula), na avaliação integrada de saúde, beleza e bem-estar é um tema de sig- nificativa relevância na medicina estética, psi- cologia e antropologia. A percepção de saúde, beleza e bem-estar está intrinsecamente ligada à simetria e à proporção desses terços, sendo que desvios podem indicar problemas de saú- de ou influenciar negativamente a percepção estética e o bem-estar psicológico do indiví- duo. Molina & Stanley (1999) sugerem que a simetria facial é um indicador importante de atratividade e saúde, enquanto estudos como o de Shackelford e Larsen (1997) demonstram que pequenas assimetrias faciais podem ser percebidas inconscientemente e influenciar o julgamento de beleza e saúde.
A avaliação dos terços faciais também de- sempenha um papel crucial na odontologia e na cirurgia plástica, onde a harmonia e a pro- porção são consideradas essenciais para o su- cesso dos tratamentos. O terço facial inferior, por exemplo, está diretamente relacionado à função mastigatória e à estética do sorriso, e
64 REVISTA EDUCAÇÃO E PESQUISA - FCT Editora, v.8 n.1, jan. 2024 - e-ISSN 2675-7850
A R T I G O S
desalinhamentos ou irregularidades nesta área podem afetar a saúde bucal e a autoestima do paciente (Peck & Peck, 1970). Da mesma for- ma, o terço médio da face, que abriga estrutu- ras vitais como o nariz e os olhos, é fundamen- tal para a respiração adequada e a visão, além de ser crucial na determinação da harmonia facial (Langlois & Roggman, 1990).
Do ponto de vista psicológico, a aparência dos terços da face tem um impacto profun- do na autoimagem e no bem-estar emocional. Estudos como o de Little, Jones e DeBruine (2011) indicam que alterações na percepção da própria aparência facial podem influenciar a autoestima e o comportamento social. A esté- tica facial, portanto, não é apenas uma questão de aparência física, mas também está relacio- nada à saúde psicológica e à qualidade de vida.
Além disso, a integração dos terços da face é fundamental na comunicação não ver- bal e na expressão de emoções. A capacida- de de expressar e interpretar corretamente as emoções através das expressões faciais está relacionada com a simetria e a funcionalidade dos músculos faciais, que são distribuídos ao longo dos terços da face (Ekman & Friesen, 1976). Assim, uma avaliação integrada que considera tanto os aspectos estéticos quanto funcionais dos terços da face é essencial para entender como a saúde, a beleza e o bem-estar estão interconectados.
Em resumo, os terços da face desempe- nham um papel crucial na avaliação integra- da de saúde, beleza e bem-estar. A harmonia e a proporção entre essas regiões não apenas contribuem para a percepção estética, mas também estão relacionadas à função, à saúde e à expressão emocional, destacando a impor- tância de uma abordagem holística na análise facial.
VISAGISMO: FUNDAMENTOS
CIENTÍFICOS E APLICAÇÕES PRÁTICAS EM DIAGNÓSTICOS MULTIDIMENSIONAIS
Visagismo, um conceito que combina es- tética facial com análise psicológica, visa criar uma harmonia visual entre a aparência de uma pessoa e sua personalidade, utilizando funda- mentos científicos para sustentar suas aplica- ções práticas. Essa abordagem multidimensio- nal considera aspectos físicos, psicológicos e sociais na criação de um estilo personalizado que realça as características individuais e pro- move o bem-estar. Philippe Hallawell, em sua obra “Visagismo: Harmonia e Estética” (2003), destaca que o visagismo não se limi- ta à beleza externa, mas busca a expressão do interior do indivíduo através da sua imagem externa, integrando forma, cor e movimento para alcançar a identidade visual desejada.
A base científica do visagismo é inter- disciplinar, incorporando conhecimentos de anatomia, psicologia, arte e estética. Na prá- tica, utiliza-se a morfopsicologia, que estuda como os traços faciais refletem o compor- tamento e a personalidade (Moulon, 1986). Esse entendimento ajuda na identificação das características faciais que melhor representam as qualidades internas de uma pessoa, permi- tindo intervenções estéticas que melhoram a autoestima e a percepção social. Por exemplo, Freitas, em seu estudo de 2010, demonstrou como a aplicação do visagismo na odontolo- gia estética pode melhorar significativamente a satisfação dos pacientes com sua imagem, ali- nhando a função dental com a estética facial e a identidade pessoal.
Além da estética, o visagismo tem impli- cações práticas na moda, na cosmetologia e
REVISTA EDUCAÇÃO E PESQUISA - FCT Editora, v.8 n.1, jan. 2024 - e-ISSN 2675-7850 65
na comunicação interpessoal, onde a imagem pessoal pode influenciar a percepção de pro- fissionalismo e confiança (Tieche, 2016). Na indústria da moda, por exemplo, o visagismo é aplicado no design de penteados, maquia- gem e escolha de acessórios, considerando a simetria facial, a cor da pele e a estrutura óssea para criar looks que realçam a individualidade e melhoram a harmonia visual.
A pesquisa em visagismo também se es- tende ao campo da psicologia social, onde a aparência é um fator significativo nas primei- ras impressões e na dinâmica das relações so- ciais (Zebrowitz, 1997). Estudos indicam que uma imagem pessoal alinhada com a identida- de e os valores do indivíduo pode melhorar a comunicação e as interações sociais, fortale- cendo a autoconfiança e a assertividade.
Portanto, o visagismo representa uma abordagem holística e personalizada para a es- tética e a imagem pessoal, baseada em sólidos fundamentos científicos. Suas aplicações prá- ticas em diagnósticos multidimensionais per- mitem não apenas realçar a beleza individual, mas também promover o bem-estar psicoló- gico e a eficácia na comunicação interpessoal.
INTUIÇÃO E ANÁLISE NO VISAGISMO: COMO A PERCEPÇÃO ESTÉTICA INFLUENCIA O BEM- ESTAR
Intuição e análise são componentes fun- damentais no visagismo, atuando conjunta- mente para entender como a percepção estéti- ca influencia o bem-estar. O visagismo, que se concentra na harmonização entre a aparência externa de um indivíduo e suas características internas, requer um equilíbrio entre a sensi- bilidade intuitiva, que captura a essência e a
personalidade do indivíduo, e a análise téc- nica, que aplica princípios estéticos e conhe- cimentos específicos para criar uma imagem harmoniosa e coerente. A intuição no visagis- mo envolve a percepção imediata e instintiva das características que definem a pessoa, indo além da aparência física para capturar aspectos da sua identidade e emoção (Gomes & Cardo- so, 2008).
Por outro lado, a análise é mais metodoló- gica, baseando-se em conhecimentos científi- cos e técnicos sobre proporções faciais, cores, formas e estilos, contribuindo para recomen- dações personalizadas que alinham a aparência física à identidade do indivíduo. Essa aborda- gem analítica é essencial para identificar as in- tervenções estéticas mais adequadas, como o corte de cabelo, maquiagem e escolha de ves- tuário, que ressaltam os traços favoráveis e mi- nimizam os menos desejáveis (Freitas, 2010).
A relação entre percepção estética e bem- -estar no visagismo é evidenciada pela forma como as pessoas reagem à sua imagem no es- pelho. Uma imagem que reflete autenticidade e harmonia pode aumentar a autoestima, me- lhorar a saúde mental e promover o bem-estar geral. Isso está em consonância com as teorias da psicologia da auto-percepção, que sugerem que a maneira como as pessoas se veem in- fluencia diretamente seus sentimentos e com- portamentos (Festinger, 1954).
A prática do visagismo, integrando intui- ção e análise, tem um impacto significativo na vida das pessoas, influenciando sua autocon- fiança e satisfação pessoal. Ao ajustar a ima- gem externa para melhor refletir a identidade interna, o visagismo pode facilitar uma comu- nicação mais autêntica e melhorar as relações interpessoais (Tieche, 2016).
Em suma, a intuição e a análise no visa- gismo trabalham de forma integrada para criar
66 REVISTA EDUCAÇÃO E PESQUISA - FCT Editora, v.8 n.1, jan. 2024 - e-ISSN 2675-7850
A R T I G O S
uma imagem que não apenas seja esteticamen- te agradável, mas também profundamente alinhada com a personalidade e os valores do indivíduo, contribuindo assim para o seu bem- -estar emocional e psicológico.
RAZÃO E EMOÇÃO NO VISAGISMO: ENTENDENDO A INFLUÊNCIA DOS FORMATOS FACIAIS NOS JULGAMENTOS SOCIAIS E PESSOAIS
No campo do visagismo, a interação entre razão e emoção é fundamental para compre- ender como os formatos faciais influenciam os julgamentos sociais e pessoais. O visagis- mo, que visa criar harmonia estética alinhando a aparência com a personalidade e as emoções do indivíduo, reconhece que o rosto é um dos principais vetores de comunicação não verbal. Os formatos faciais podem transmitir uma va- riedade de mensagens e sentimentos, impac- tando como uma pessoa é percebida e como percebe a si mesma. Estudos de Zebrowitz e Montepare (2008) indicam que as pessoas frequentemente fazem julgamentos rápidos e inconscientes baseados nas características fa- ciais, associando, por exemplo, rostos com tra- ços angulares a qualidades como competência e agressividade, enquanto rostos com caracte- rísticas suaves são muitas vezes associados à amabilidade e acessibilidade.
Esses julgamentos, embora muitas ve- zes baseados em estereótipos, têm profundas implicações sociais e pessoais. No âmbito do visagismo, a razão se aplica ao entendimen- to técnico e científico dessas percepções, en- quanto a emoção se relaciona com a experi- ência subjetiva e pessoal da imagem facial. O trabalho de Freitas (2010) destaca que o visa- gismo busca equilibrar esses aspectos racio-
nais e emocionais ao adaptar a aparência para expressar as qualidades internas do indivíduo, promovendo um melhor autoconhecimento e autoaceitação.
A razão no visagismo envolve o uso de técnicas e princípios estéticos para modifi- car conscientemente os elementos faciais de modo a influenciar positivamente os julga- mentos sociais. Isso inclui ajustes na cor do cabelo, estilo de maquiagem e escolhas de ves- tuário que complementam a forma do rosto, reforçando ou atenuando certas características para alinhar a imagem externa com a identida- de interna (Hallawell, 2003).
Por outro lado, a emoção no visagismo se refere à capacidade de captar e expressar as nuances emocionais e psicológicas do indiví- duo através da sua imagem. Isso envolve en- tender como as pessoas se sentem em relação à sua aparência e como isso afeta sua autoesti- ma e interações sociais (Tieche, 2016).
Assim, a integração de razão e emoção no visagismo permite uma compreensão mais profunda de como os formatos faciais e as intervenções estéticas podem influenciar os julgamentos sociais e pessoais. Ao fazer isso, o visagismo não apenas melhora a harmonia estética, mas também promove uma melhor comunicação interpessoal e bem-estar psico- lógico, refletindo a complexidade e a multidi- mensionalidade da identidade humana.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As considerações extraídas da intersecção entre anatomia, psicologia, estética e visagismo revelam a profunda complexidade da percep- ção humana e a sua influência no bem-estar e nas relações sociais. O estudo dos formatos faciais e suas conexões com as emoções, as-
REVISTA EDUCAÇÃO E PESQUISA - FCT Editora, v.8 n.1, jan. 2024 - e-ISSN 2675-7850 67
sim como a aplicação prática desses conheci- mentos no visagismo, oferece insights valiosos sobre como os indivíduos se percebem e são percebidos pelos outros. A interação entre a razão e a emoção no processo de análise e in- terpretação estética destaca a necessidade de um equilíbrio entre conhecimento técnico e sensibilidade intuitiva.
A ciência por trás da simetria facial, da ex- pressão de emoções e da percepção de beleza é complexa e multifacetada, envolvendo ele- mentos que são tanto inatos quanto adquiri- dos. Estudos mostram que certas característi- cas faciais podem evocar respostas emocionais específicas e influenciar julgamentos sobre a personalidade, a saúde e a atratividade de uma pessoa. Esses julgamentos, embora muitas ve- zes ocorram de maneira subconsciente, têm impactos tangíveis nas interações sociais e na autoestima.
No campo do visagismo, a capacidade de adaptar a aparência externa para refletir a identidade interna de uma pessoa ressalta a importância de uma abordagem holística que considera a pessoa como um todo. Isso não apenas melhora a percepção individual de be- leza e bem-estar, mas também fortalece a co- municação não-verbal e facilita as interações sociais positivas. Assim, a integração entre a estética e a psicologia no visagismo tem o po- tencial de promover não apenas a harmonia estética, mas também o equilíbrio emocional e a satisfação pessoal.
Concluindo, a análise dos fundamentos científicos e das aplicações práticas no visa- gismo mostra que a compreensão da relação entre os formatos faciais e as emoções é es- sencial para a promoção do bem-estar inte- gral. Essa abordagem não só amplia a nossa compreensão da estética humana, mas tam- bém enfatiza a importância da autenticidade e
da congruência entre a aparência e a persona- lidade, fundamentais para a autoaceitação e o desenvolvimento pessoal.
REFERÊNCIAS
Brown, Simon G. (2001). A arte prática da leitura facial. Editora Manole.
Darwin, C. (1872). The expression of the emotions in man and animals. London: John Murray.
Davies, Rodney (1996). A Leitura do Rosto. Editora Roca.
Ekman, P. (1993). Facial expression and emo- tion. American Psychologist, 48(4), 384-392.
Ekman, Paul; Szlak, Carlos. (2011); A lingua- gem das emoções. Editora Lua de Papel.
Ekman, P., & Friesen, W. V. (1971). Cons- tants across cultures in the face and emotion. Journal of Personality and Social Psychology, 17(2), 124-129.
Ekman, P., & Friesen, W. V. (1976). Measu- ring facial movement. Environmental Psy- chology and Nonverbal Behavior, 1(1), 56-75.
Festinger, L. (1954). A theory of social com- parison processes. Human Relations, 7(2), 117-140.
Freitas, R. S. de (2010). A importância do visagismo na odontologia estética. Revista Brasileira de Odontologia, 67(2), 158-162.
Freitas, R. S. de (2010). Visagismo integrado: identidade, estilo e beleza. São Paulo: Editora Senac.
68 REVISTA EDUCAÇÃO E PESQUISA - FCT Editora, v.8 n.1, jan. 2024 - e-ISSN 2675-7850
A R T I G O S
Gautier, Brigitte; Juilliard, Claude (2009). Un coach pour un nouveau look. França, Editora Solar.
Gomes, N. S., & Cardoso, P. R. (2008). Visa- gismo: a arte de personalizar o atendimento. Rio de Janeiro: Editora Senac.
Hallawell, P. (2003). Visagismo: Harmonia e Estética. São Paulo: Senac.
Hallawell, Philip. (2009). Visagismo integra- do: identidade, estilo e beleza. Editora Senac.
Lamounier, Maria Madalena. (2020). Visa- gismo e Harmonizacao Facial do Jovem ao Senil. São Pulo, Napoleão.
Langlois, J. H., & Roggman, L. A. (1990). At- tractive faces are only average. Psychological Science, 1(2), 115-121.
Little, A. C., Jones, B. C., & DeBruine, L. M. (2011). Facial attractiveness: evolutionary based research. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences, 366(1571), 1638-1659.
Lobo, Maristela; Pereira, Priscika; Kirschner, Roger. (2022). Manual de Di-cas Praticas de Visagismo Na Hof. São Paulo, Napoleão.
Loccoco, Alejandro. (2019). Metodo Locco- co - Manual Práctico de Maquilla-je. Editorial Oceano.
Marsh, A. A., Adams, R. B., & Kleck, R. E. (2005). Why do fear and anger look the way they do? Form and social function in facial expressions. Personality and Social Psycholo- gy Bulletin, 31(1), 73-86.
Molina, G., & Stanley, K. (1999). Facial sym- metry and the perception of beauty. Psycho-
nomic Bulletin & Review, 6(4), 659-669.
Moulon, P. (1986). Morphopsychology: The Face and Personality. Paris: Editions Retz.
Peck, H., & Peck, S. (1970). A concept of facial esthetics. Angle Orthodontist, 40(4), 284-318.
Rhodes, G. (2006). The evolutionary psy- chology of facial beauty. Annual Review of Psychology, 57, 199-226.
Rufenacht, Claude R. (1998). Fundamentos de estética. Editora Santos.
Sánchez Sánchez, María Cruz; Zarauza No- rato, Gonzalo, (2015). Visajismo: teoría de la potenciación – compensación. Esnpanha.
Shackelford, T. K., & Larsen, R. J. (1997). Facial asymmetry as an indicator of psycho- logical, emotional, and physiological distress. Journal of Personality and Social Psychology, 72(2), 456-466.
Tedesco, Andréa. (2019); Harmonização Fa- cial - A Nova Face da Odontolo-gia. Editora Napoleão.
Tieche, J. (2016). As transformações do visa- gismo na percepção do eu. Revista de Estéti- ca e Cosmética, 18(3), 202-215.
Tieche, J. (2016). Os efeitos do visagismo na personalidade. Revista Científica de Beleza, 12(1), 34-46.
Tracy, J. L., & Matsumoto, D. (2008). The spontaneous expression of pride and shame: Evidence for biologically innate nonverbal displays. Proceedings of the National Aca- demy of Sciences, 105(33), 11655-11660.
REVISTA EDUCAÇÃO E PESQUISA - FCT Editora, v.8 n.1, jan. 2024 - e-ISSN 2675-7850 69
Trindade, Robson. (2014). Conceitos do belo que influenciam o visagismo. Livros de Visa- gismo. São Paulo.
Trindade, R., Trindade, T. (2017). Bases histó- ricas do visagismo. Livros de Visagismo. São Paulo.
Trindade, R., Trindade, T., Trindade, T. (2019). Bases históricas do visagismo – o belo através das eras: livro II. Livros de Visagismo. São Paulo.
Trindade, R., Trindade, T., Tridade, T., Vi- dal, M., Alves, I. (2020). Bases históricas do visagismo: livro III. Livros de Visagismo, São Paulo.
Trindade, R., Curti, F., Trindade, T., Trinda- de, P., André, C., (2023). Bases históricas do visagismo: livro IV. Livros de Visagismo, São Paulo.
Trindade, R., Trindade, T., André, C. (2017). Visagismo acadêmico. Livros de Visagismo. São aulo.
Vita, Ana Carlota. (2020). História da Ma- quiagem, da Cosmética e do Pen-teado (Ver- são para o Séc XXI). São Paulo, FCT Editora.
Zebrowitz, L. A. (1997). Reading Faces: Window to the Soul? Boulder, CO: Westview Press.
Comentários